De extremos e precipícios

Dias atrás, conversava eu com um jornalista, profissional experiente que dirige um grande jornal do país, sobre a importância de nós, cristãos evangélicos, estarmos presentes também na política partidária, contarmos com parlamentares que defendam nossas bandeiras pela família e pela vida.

Falávamos de mandatários que travam o bom debate democrático, pelos interesses da sociedade, da qual nós, cristão evangélicos, somos segmento importante e hoje crescente dentre os brasileiros. Da troca de ideias, veio a discussão sobre os extremismos, inclusive dos cristãos, que se disponham a usar a Palavra para condenar o outro. E então eu disse: “O radical no Brasil vai ocupar um nicho. Para ir além, é preciso estabelecer pontes”.

Eis aí a direção que nós temos seguido: construir pontes. Esse é o caminho do meio, da tolerância, da negociação, do acordo e do bom termo, em paz e com satisfação. Disse eu também ao repórter: “Cada extremo traz consigo uma ameaça, que se apresenta no precipício que vem depois, uma queda às vezes até fatal”.

Tanto é que o Senhor, em sua sabedoria, nos deu o dom da fala e nos abençoou com a audição. Mas notem como, sábio que Ele é, definiu as medidas para usarmos uma e outra: para falar, deu-nos uma boca; para escutar, dois ouvidos.

Embora o Evangelho seja radical sobre alguns valores, como perdão, verdade, justiça e amor, a Palavra também diz que, no meio de todo processo, há que haver uma grande tolerância. Vem daí a tolerância que o Apóstolo Paulo nos mostra em 1 Cor 13: 1-10. O amor tudo sofre, tudo crê, tudo suporta.

A única permissão que temos para sermos extremistas é no combate ao mal como força destrutiva da humanidade. E que não nos deixemos enganar, pois que o mal também pode se apresentar sob a máscara de falsos mandamentos.

Quando houver a dúvida, também é a Palavra que nos dá a medida da razão: Desejai a seu irmão aquilo que você quer para si mesmo.

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