|
29/01/08
- Enviado por:
Robson Rodovalho
Texto
Texto de Roberto Goldkorn Aviso
ao que tem dificuldade em ler textos longos. A falta de leitura pode contribuir
para o surgimento dessa doença horrorosa. Meu pai está com Alzheimer. Logo ele,
que durante toda vida se dizia '' O Infalível''. Logo ele, que um dia, ao tentar
me ensinar matemática, disse que as minhas orelhas eram tão grandes que batiam
no teto. Logo ele que repetiu, ao longo desses 54 anos de convivência, o nome do
músculo do pescoço que aprendeu quando tinha treze anos e que nunca mais
esqueceu: esternocleidomastóideo. O diagnóstico médico ainda não é conclusivo,
mas, para mim, basta saber que ele esquece o meu nome, mal anda, toma líquidos
de canudinho, não consegue terminar uma frase, nem controla mais suas funções
fisiológicas, e tem os famosos delírios paranóicos comuns nas demências tipo
Alzheimer. Aliás, fico até mais tranqüilo diante do ''eu não sei ao certo'' dos
médicos; prefiro isso ao ''estou absolutamente certo de que...'', frase que me
dá arrepios.
Há
trinta anos, não ouvia sequer uma menção a essa doença maldita. Hoje, precisaria
ter o triplo de dedos nas mãos para contar os casos relatados por amigos e
clientes em suas famílias.
O
que está acontecendo? Estamos diante de um surto de Alzheimer? Finalmente nossos
hábitos de vida ''moderna'' estão enviando a conta? O que os pesquisadores sabem
de verdade sobre a doença? Qual é o lado oculto dessa manifestação tão dolorosa?
Lendo o material disponível, chega-se a uma conclusão: essa é uma doença
extremamente complexa, camaleônica, de muitas faces e ainda carregada de
mistérios. Sabe-se, por exemplo, que há um componente genético. Por outro lado,
o Dr. William Grant fez uma pesquisa que complicou um pouco as coisas. Ele
comparou a incidência da doença em descendentes de japoneses e de africanos que
vivem nos EUA, e com japoneses e nigerianos que ainda vivem em seus respectivos
países. Ele encontrou uma incidência da doença da ordem de 4,1 para os
descendentes de japoneses que vivem na América, contra apenas 1,8 de japoneses
do Japão. Os afro-americanos vão mais longe: 6,2 desenvolvem a doença, enquanto
apenas 1,4 dos nigerianos são atingidos por ela. Hábitos alimentares? Stress das
pressões do Primeiro Mundo? Mas o Japão não é Primeiro Mundo? Não tem stress?
A
alimentação parece ser sem dúvida um elo nessa corrente, e mais ainda o
alumínio. Segundo algumas pesquisas, a incidência de alumínio encontrada nos
cérebros de portadores da doença é assustadoramente alta.
Pesquisas feitas na Austrália e em alguns países da Europa mostraram que, em
atos alimentados com uma dieta rica, o sulfato de alumínio (comumente colocado
na água potável para matar bactérias) danificou os cérebros dos roedores de
forma muito similar à causada aos humanos pelo Alzheimer.
Pesquisas
do Dr. Joseph Sobel, da Universidade da Califórnia do Sul, mostraram que a
incidência da doença é três vezes maior em pessoas expostas à radiação elétrica
(trabalhadores que ficavam próximos a redes de alta tensão ou a máquinas
elétricas). Mas não param por aí as pesquisas, que apontam a arma em todas as
direções. Porém, a que mais me chocou e me motivou a fazer minhas próprias
elucubrações foi o estudo das freiras. Esse estudo, citado no livro A Saúde do
Cérebro, do Dr. Robert Goldman, Ed. Campus, foi feito pelo Dr. Snowdon, da
Universidade de Kentucky.
Eles estudaram 700 freiras do convento de Notre Dame. Na verdade, eles leram e
analisaram as redações autobiográficas que cada freira era obrigada a escrever
logo ao entrar na ordem. Isso ocorria quando elas tinham em média 20 anos. Essas
freiras (um dos grupos mais homogêneos possíveis, o que reduz muito as variáveis
que deveriam ser controladas) foram examinadas regularmente e seus cérebros
investigados após suas mortes. O que se constatou foi surpreendente. As que
melhor se saíram nos testes cognitivos e nas redações - em termos de clareza de
raciocínio, objetividade, vocabulário, capacidade de expressar suas idéias,
mesmo apresentando os acidentes neurológicos típicos do Alzheimer (placas e
massas fibrosas de tecido morto) - não desenvolveram a demência característica
da doença. Ou seja, elas tinham as mesmas seqüelas que as outras freiras com
Alzheimer diagnosticado (e que tiveram baixos escores em testes cognitivos e na
redação), mas não os sintomas clássicos, como os do meu pai.
A
minha interpretação de tudo isso: não temos muito como controlar todos os
fatores de risco apontados como vilões - alimentação, pressão alta, contaminação
ambiental, stress, e a genética (por enquanto).Mas podemos colocar o nosso
cérebro para trabalhar. Como? Lendo muito, escrevendo, buscando a clareza das
idéias, criando novos circuitos neurais que venham a substituir os afetados pela
idade e pela vida ''bandida''. Meu conselho: não sejam infalíveis como o meu
pobre pai, não cheguem ao topo nunca, pois dali, só há um caminho: descer.
Inventem novos desafios, façam palavras cruzadas, forcem a memória, não só com
drogas (não nego a sua eficácia, principalmente as nootrópicas), mas correndo
atrás dos vazios e lapsos. Eu não sossego enquanto não lembro do nome de algum
velho conhecido, ou de uma localidade onde estive há trinta anos. Leiam e se
empenhem em entender o que está escrito, e aprendam outra língua.
Não
existem estudos provando que o Alzheimer é a moléstia preferida dos arrogantes,
autoritários e auto-suficientes, mas a minha experiência mostra que pode haver
alguma coisa nesse mato. Coloquem a palavra FELICIDADE no topo da sua lista de
prioridades: 7 de cada 10 doentes nunca ligaram para essas ''bobagens'' e
viveram vidas medíocres e infelizes - muitos nem mesmo tinham consciência disso.
Mantenha-se interessado no mundo, nas pessoas, no futuro. Invente novas
receitas, experimente. Lute, lute sempre, por uma causa, por um ideal, pela
felicidade. Parodiando Maiakovski, que disse ''melhor morrer de vodca do que de
tédio'', eu digo: melhor morrer lutando o bom combate do que ter a personalidade
roubada pelo Alzheimer. E ''inté'', amigos, que eu vou me cuidar.
Roberto
Goldkorn é psicólogo e escritor. Extraído da Internet.
*
* * * Dicas para escapar do Alzheimer Uma descoberta dentro da Neurociência vem
revelar que o cérebro mantém a capacidade extraordinária de crescer e mudar o
padrão de suas conexões. Os autores desta descoberta, Lawrence Katz e Manning
Rubin (2000), revelam que NEURÓBICA, a ''aeróbica dos neurônios'', é uma nova
forma de exercício cerebral projetada para manter o cérebro ágil e saudável,
criando novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios em seu cérebro.
Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que, apesar de terem a
vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem um efeito perverso: limitam
o cérebro.
Para
contrariar essa tendência, é necessário praticar exercícios ''cerebrais'' que
fazem as pessoas pensarem somente no que estão fazendo, concentrando-se na
tarefa.
O
desafio da NEURÓBICA é fazer tudo aquilo que contraria as rotinas, obrigando o
cérebro a um trabalho adicional. Tente fazer um teste:
-
use o relógio de pulso no braço direito; - escove os dentes com a mão contrária
da de costume;
-
ande pela casa de trás para frente; (vi na China o pessoal treinando isso num
parque);
-
vista-se de olhos fechados; -estimule o paladar, coma coisas diferentes;
-
veja fotos de cabeça para baixo;
-
veja as horas num espelho;
-
faça um novo caminho para ir ao trabalho;
A
proposta é mudar o comportamento rotineiro.
Tente,
faça alguma coisa diferente com seu outro lado e estimule o seu cérebro.
Vale
a pena tentar!
Que
tal começar a praticar agora, trocando o mouse de lado?
|