A ganância e o “japonês da federal”

Chegamos ao fim de mais um ano, período tradicional de festas. Começamos com o Natal, quando o renascimento de Jesus nos traz a renovação da fé. Depois, temos o Ano Novo , uma data que sempre nos enche de esperanças, nos faz convictos de nossos propósitos e certos de que tudo é possível no caminho da fé.

Esse momento é mais do que propício para uma profunda revisão de valores, para repensar nossa relação com o material e o espiritual, nosso comportamento diante de um e de outro.

O Planeta Terra, por meio das mudanças climáticas, e a Justiça dos homens, para ficar em apenas dois exemplos, têm dados fortes sinais de que, para aqueles que menosprezam a fé, que se alimentam dos valores materiais a qualquer preço, o que há de certo no caminho da vida é que algum lugar da estrada existe um precipício. Um despenhadeiro que já ceifou várias vidas e que ali está, à espera de tantas outras que ignoram os sinais que o Senhor nos envia todos os dias.

O aquecimento global é o sinal divino mais óbvio e alarmante de que a voracidade com que consumimos as riquezas naturais custa e custará caro ao homem. O desenvolvimento predatório – e de retorno discutível – pode levar até ao desaparecimento de países, que vão submergir devido ao aumento do nível dos oceanos causado pelo degelo das calotas polares.

Isso para não falar da escassez de chuvas, que comprometeram a capacidade de abastecimento e tornaram obrigatório até o racionamento da água em algumas regiões/cidades.

Na vida em sociedade, são ainda mais perversos os efeitos desse homem predador, que busca a todo custo o “ter”, sem refletir sobre o seu “ser”.

A falta de respeito com a coisa pública destruiu a Petrobras, que por décadas foi a empresa mais promissora e de maior projeção internacional do país.

Passada a limpo pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal e do Ministério Público, a gestão da Petrobras nos dez últimos anos é o exemplo perfeito e acabado de como a ganância de poder e riqueza facilmente se associam em negócios, e sem nenhum limite.

Eis que é chegado o tempo da revisão de valores também para os gananciosos que desviam aquilo que pertence aos seus próprios irmãos. Para onde vão eles agora, condenados a décadas de prisão, expostos à expiação da raiva pública e obrigados a entregar tudo aquilo que compraram com o produto dos seus crimes?

Pensem, meus amigos. Para que serve a riqueza de poucos, festejada em castelos murados, se os muitos, famintos, preparam-se lá fora para invadir a fortaleza a qualquer momento? Para onde levar tanto dinheiro, se não se pode ir a lugar algum? De que vale tanto poder se, ao raiar do dia, quem bate à porta não é o jornaleiro, mas o “japonês da federal”?

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