DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Eu estava em um evento cumprimentando as mulheres, parabenizando-as pelo seu dia, quando percebi que uma mendiga se aproximou de mim. Roupas rasgadas, cabelos despenteados e sujos, sandálias nos pés e um saco nas costas. Cena bem típica e característica de nossos pobres e mendigos brasileiros.
Notei que ela me acompanhava por algum tempo. Quando me voltei para ela, a cumprimentei e parabenizei pelo seu dia. Ela sorriu, de forma envergonhada pela ausência de dentes, e me disse: – “Posso te fazer um pedido?” Imaginei que ela fosse me pedir algum dinheiro para comprar algo para comer, ou um emprego para um parente. Mas ela me surpreendeu, quando me disse “eu quero uma oração sua, como presente pelo dia de hoje, é possível?”
Confesso que me desconcertei. Senti amor por ela, e compaixão por seu estado e sua dor. Senti que ela apelava ao poder soberano de Deus, e desistira de qualquer petição na esfera humana, pela decepção no plano natural.
Coloquei minha mão em seu ombro e caminhei com ela a um lugar  um pouco mais silencioso, onde oramos naquela hora. Ela me abraçou, agradeceu e se afastou.
A cena continuou comigo durante todo o dia. Aquela mulher suja, maltrapilha e desencantada com a vida representava para mim quase uma parábola. Ela representava uma classe de mulheres que pertence a um outro Brasil. O Brasil dos pobres, dos desencantados, dos desistentes. Logo no Dia Internacional da Mulher!
Meditei naquele quadro o restante do dia, e tive a clara consciência de que as mulheres brasileiras merecem bem mais que um dia de festa. Elas merecem  políticas publicas que as levem à dignidade e à plena cidadania.
Precisamos resgatar a esperança de nossa gente, especialmente de nossas mulheres, que são mães, companheiras e esposas. São elas que sofrem todas as dores de sua família, de seus filhos e de suas próprias vidas.
Como bispo e homem que acredita no poder sobrenatural de Deus, eu apreciei aquela oração, mas como homem público, eu senti impacto de seu pedido. Ela desistira da humanidade. Agora, sua única esperança e expectativa era o transcendental e o Divino.
Como cenas como esta, com tão poucas palavras, podem representar tanto para nós? É incrível que tiremos lições tão profundas de momentos tão breves e inesperados.     
Que possamos tirar força destas lições e lutar. Lutar por um Brasil que necessita desesperadamente de nossa ajuda e nosso trabalho. São momentos como estes que nos dão força para seguirmos adiante.
Que possamos ajudar por meio de projetos de leis, de programas sociais e de governos, para que nossa gente acredite na vida e tenha coragem e força para lutar por ela.



Bispo Rodovalho
08/03/2010

2 thoughts to “DIA INTERNACIONAL DA MULHER”

  1. Bispo. confesso que me emocionei. e tenho certeza que estamos bem representados para criarmos essas politicas públicas voltadas para a mulher.Deus te de sabedoria e te abençoe.Felipe Carrara

  2. Bispo, vivenciei algo parecido também essa semana, não com o mesmo impacto, não no mesmo cenário, mas com o mover e a lição parecidos.Isso cria uma dor/amor que não há como explicar.Vou contigo até o fim, ser sal da terra e luz do mundo. Ser o Eis-me aqui Senhor! Usa-me a mim! SARA NOSSA TERRA SENHOR!Abraços bispo! conte sempre com a oração daqueles que te seguem e te admiram!

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